Teorias de aprendizagem


A aprendizagem é um processo de aquisição de novos comportamentos ou a mudança de comportamentos préexistentes.

Trata-se da capacidade que quotidianamente necessitamos para responder adequadamente às diferentes solicitações e desafios que se nos colocam na nossa interacção com o meio. Aprender envolve processos de maturidade, pensamento, comportamento e mudança.

A aprendizagem é um processo dinâmico, activo e evolutivo, dado que somos processadores activos da informação que descodificamos, processamos e recodificamos em termos pessoais.

A aprendizagem está desde sempre ligada à História do Homem, à sua construção enquanto ser social com capacidade de adaptação a novas situações. Desde sempre se ensinou e aprendeu, o estudo da aprendizagem está intimamente ligado ao desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência, tendo sido abordada pelas suas diversas correntes:


1. Teoria Comportamentalista / Behaviorista:

Por behaviorismo entende-se um estudo científico, puramente objectivo do comportamento humano. Segundo os defensores desta teoria, “A situações idênticas correspondem comportamentos idênticos”, assim o Homem é visto como “aquilo que o meio fizer dele”.

A aprendizagem é uma aquisição de comportamentos expressos através de relações mais ou menos mecânicas, entre um Estímulo e uma Resposta (E-R), sendo o sujeito relativamente passivo neste processo.

Principais características desta teoria:
  • A aprendizagem é sinónima de comportamento expresso
  • O reforço é um dos principais motores da aprendizagem. Na sequência de uma resposta e em função do seu resultado deve ser fornecido um estímulo (reforço) que confere à resposta um efeito agradável ou desagradáve
  • A aprendizagem é vista como uma “modelagem” de um indivíduo para determinados objectivos, pois o indivíduo que aprende não necessita conhecer os objectivos da aprendizagem, uma vez que ele já possui a matéria-prima.


2. Teoria Cognitiva:

É contemporânea da teoria behaviorista e defende que a aprendizagem é algo mais complexo do que simples associações do tipo Estímulo-Resposta. Consiste numa mudança de estrutura cognitiva do sujeito, na forma como ele percebe, selecciona e organiza os objectos e os acontecimentos e lhes atribui significado.

A aprendizagem é assim entendida como um processo dinâmico de codificação, processamento e recodificação da informação. O estudo da aprendizagem centra-se nos processos cognitivos que permitem estas operações e nas condições contextuais que as facilitam. O indivíduo é visto como um ser que interage com o meio e é graças a essa interacção que aprende.

Principais características desta teoria:

  • A aprendizagem é vista como um processo dinâmico de codificação, processamento e recodificação da informação.
  • Aprende-se a fazer, fazendo.
  • A aprendizagem muitas vezes confunde-se com a compreensão
  • O processo de aprendizagem é intencional, dado que tem objectivos, é explorativo e imaginativo.
  • O que leva os indivíduos a aprender são, sobretudo as suas necessidades internas, a sua curiosidade, as suas expectativas. Assim a motivação é concebida como antecipação dos resultados a obter – isto funcionará como um reforço


3. Teoria Humanista:

Esta teoria baseia-se na convicção de que os sujeitos devem ter mais responsabilidades para decidirem o que querem aprender. Aprende-se o que se quer, como e onde se quer. A aprendizagem é um processo pessoal, de índole vivencial, no centro do qual está a pessoa como “ser”, que pensa, sente e vive.

A teoria humanista centra-se no ser humano, dá ênfase à riqueza e singularidade da pessoa, nos seus motivos e interesses. O sujeito que aprende adquire neste quadro um papel activo, embora a aprendizagem seja vista muitas vezes como algo de espontâneo.

As diferentes perspectivas sobre aprendizagem não devem ser encaradas como um problema, mas antes como uma vantagem, já que possibilita uma visão mais abrangente, não reduzindo a explicação da diversidade deste processo a uma única teoria.